Por: Sérgio Ferreira
Rebeca Andrade sorria. Não parecia que havia acabado de ficar sem
medalha na final do solo nos Jogos Olímpicos de Tóquio. Mas não
importava. A ginasta brasileira de 22 anos já havia colocado o próprio
nome na história com o ouro no salto e a prata no individual geral. Mas,
mais do que os pódios, construiu um legado imensurável.
"Foi mais do que eu sonhei. Jamais poderia esperar tudo o que
aconteceu. As medalhas a gente sempre quer ganhar, mas acho que ganhei
muito mais que as medalhas. Ganhei a admiração das pessoas, o respeito,
fiz história, representei um país inteiro. Não foi só a medalha. O que
me deixa mais feliz é orgulhar todo mundo, minha família, meu
treinador", vibrou.
A apresentação no solo na manhã desta segunda-feira (horário de Brasília) foi a última de Rebeca Andrade na Olimpíada. A ginástica continua até terça-feira, mas com finais sem a presença da brasileira.
"Agora, vou curtir o momento, ver minha família, falar com várias pessoas", disse.
A ginasta chegou a Tóquio com chances de medalha, mas sob desconfiança em função de uma série de lesões que teve durante a carreira.
No Centro de Ginástica de Ariake, fez história como a primeira brasileira medalhista da ginástica e a primeira com mais de um pódio na mesma edição de Olimpíada.
"Já caiu a ficha, porque eu durmo com elas (as medalhas) do meu
ladinho (risos)", brincou Rebeca, quando perguntada se percebeu que
vivia a realidade, não um sonho.
"Eu me senti incrível. É sério, porque eu não me senti pressionada para nada, não me senti pressionada para levar uma medalha para o Brasil, não me senti pressionada para acertar tudo, mesmo querendo acertar. Foi uma coisa muito natural mesmo, que fluía, só fluía", comemorou.
Rebeca se apresentou no solo nesta segunda-feira mais uma vez ao som do funk 'Baile de Favela', do MC João. Ela foi muito festejada e aplaudida durante a série.
"Com certeza eu ouvi (as palmas). Me deu muita força, porque eu já estava morrendo (risos). Isso é muito importante, porque é bom quando você vê que o público está gostando do que você está fazendo, sabe? A arbitragem vê que as pessoas gostam e curtem também, o que é muito importante", disse.
Nesta segunda, porém, Rebeca pode ter se apresentado com a música pela última vez: "Não sei se vou continuar com 'Baile de Favela'. Eu amo essa música, mas se o coreógrafo falar que a gente vai mudar, eu vou mudar, não tem problema. Mas se eu tiver que continuar, vou continuar, porque está sendo incrível me apresentar com ela".
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